31.5.12

Contexto

A recepcionista achou estranho o tom de voz, não entendeu bem a ultima frase e ignorou:

- Com este cartão o senhor terá acesso ao seu quarto e também irá fazer o elevador funcionar, 7° andar ok?

Muito esquisito ver um elevador funcionando com um cartão, (mas...):

- É no mínimo curioso dois hotéis em estados diferentes hospedarem a mesma pessoa no mesmo número de quarto - pensou Zé.

Naquela noite ele se sentiu sozinho. Fazia tempo que essa presença não aparecia em sua mente, desta vez tudo estava de volta. A demora em dormir não era novidade, o travesseiro não ajudava. Por alguns segundos ouviu ruídos, a porta foi forçada. Ele pulou da cama, seu coração estava batendo a uma velocidade fora do normal. “Quem é?”, silêncio.

QUEM É ?? Gritou ele. Desta vez uma voz feminina soprou em seus ouvidos.

Era ela. A voz era dela.

- Não é possível! se assustou.

A mão estava suada. A saliva já não estava presente do mesmo jeito que no jantar consumido ha minuto atrás. Ele não sabia o que fazer. Seu coração tremia, por alguns segundos ele se imaginou suando em cima da cama ouvindo aquela voz sussurrar no seu ouvido direito. A reação imediata foi dizer:

- Você poderia me responder o que quero ouvir?

A voz:

- Como já sabe o que não quer, saiba perguntar.

Zé pensou:

- Não deveria ter recomeçado.

Os olhos se abriram, ele percebeu que não deveria ter adormecido com o notebook no colo, olhou no relógio e sorriu, a conclusão foi uma resposta para o sonho e para a hora que o relógio marcava.

- Agora é tarde.

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