Não quero me atrever a chutar um nome, sua beleza merece o verdadeiro. A insatisfação por estar ali era evidente. O problema não era o bar, os drinks do Belmonte são ótimos, e o centro do Rio é sempre um bom lugar. Ela queria estar longe, sua mente estava longe. Pegou no copo, levou até a boca, sentiu o gosto do refrigerante. O fechar dos olhos e o canto da boca entregaram a negativa com relação ao sabor. Pergunto-me se realmente o problema era a bebida. Talvez tenha sido a forma que encontrou de expressar o desapego com aquela realidade.
“Sua mãe” não percebia, mas apesar de três pessoas estarem na mesa, apenas duas permaneciam ali. A menina tinha sumido. Seu corpo segurava o copo de Pepsi (pode ser? NÃO!), porém ela já tinha ido. Estava nesse momento muito bem acompanhada e tomando um café carioca. O sarcasmo lhe encantava, a barba por fazer do rapaz a sua frente era o defeito que ela mais admirava nele.
Foram 8 segundos encantadores. Seu corpo foi transfigurado para aquela realidade perfeita. Durante tão pouco tempo ela pode se sentir bem. O sorriso no canto dos lábios e o ar superior ao jogar seu cabelo para trás a entregou pra mim. Ela não sabe, mas eu vi exatamente o que ela viu.
Não sei o que aconteceu depois. Mas tenho certeza que o rapaz com a barba por fazer deve ser um cara talentoso.
Viagem 1: Não sei vocês, mas eu tenho uma lanterna na cabeceira da minha cama.
Viagem 2: Isso mesmo, uma lanterna, essa madrugada ela foi muito útil.
Viagem 3: Acordei azedo e arrependido.
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