9.6.12

Anônima.

Olhos negros, rosto de mulher vestida de adolescente no final de carreira. O liquido no copo não parecia agradar. Ao seu lado uma senhora com cabelos pintados claramente para tampar os fios brancos, provavelmente sua mãe. De frente outra mulher talvez sua tia ou uma amiga da família. Não vamos nos ater a companhia, minhas palavras direcionam a concentração da menina.

Não quero me atrever a chutar um nome, sua beleza merece o verdadeiro. A insatisfação por estar ali era evidente. O problema não era o bar, os drinks do Belmonte são ótimos, e o centro do Rio é sempre um bom lugar. Ela queria estar longe, sua mente estava longe. Pegou no copo, levou até a boca, sentiu o gosto do refrigerante. O fechar dos olhos e o canto da boca entregaram a negativa com relação ao sabor. Pergunto-me se realmente o problema era a bebida. Talvez tenha sido a forma que encontrou de expressar o desapego com aquela realidade.

“Sua mãe” não percebia, mas apesar de três pessoas estarem na mesa, apenas duas permaneciam ali. A menina tinha sumido. Seu corpo segurava o copo de Pepsi (pode ser? NÃO!), porém ela já tinha ido. Estava nesse momento muito bem acompanhada e tomando um café carioca. O sarcasmo lhe encantava, a barba por fazer do rapaz a sua frente era o defeito que ela mais admirava nele.

Foram 8 segundos encantadores. Seu corpo foi transfigurado para aquela realidade perfeita. Durante tão pouco tempo ela pode se sentir bem. O sorriso no canto dos lábios e o ar superior ao jogar seu cabelo para trás a entregou pra mim. Ela não sabe, mas eu vi exatamente o que ela viu.

Não sei o que aconteceu depois. Mas tenho certeza que o rapaz com a barba por fazer deve ser um cara talentoso.

Viagem 1: Não sei vocês, mas eu tenho uma lanterna na cabeceira da minha cama.

Viagem 2: Isso mesmo, uma lanterna, essa madrugada ela foi muito útil.

Viagem 3: Acordei azedo e arrependido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário